O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) vão disputar o segundo turno da eleição para o governo do Rio de Janeiro. Ruas terminou a votação deste domingo (4) na liderança, com 49,31% dos votos válidos, enquanto Paes recebeu 42,72%.
O resultado prolonga uma disputa que, às vésperas da eleição, ainda mantinha Paes próximo do percentual necessário para liquidar a corrida no primeiro turno.
O resultado, no entanto, ainda pode ser alterado a depender de como a Justiça Eleitoral definirá a candidatura de Anthony Garotinho e se mantém a votação no resultado oficial da eleição, ou se exclui os votos de do ex-governador.
Na sexta-feira, o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques suspendeu o uso de verba de campanha por Garotinho e reiterou que a candidatura está, por ora, indeferida. A decisão ocorreu após uma petição da campanha de Paes que pediu celeridade ao TSE para analisar a situação de Garotinho, o que impacta as chances de um desfecho da eleição em primeiro turno.
A defesa do ex-governador já tinha um recurso enviado à Corte, na semana passada, para tentar validar seus votos. Neste domingo, o pedido foi reforçado em uma petição endereçada ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Até as 17h deste domingo, não havia manifestação de Nunes Marques a respeito.
Na pesquisa AtlasIntel divulgada em 23 de setembro, o ex-prefeito aparecia com 48,1% dos votos válidos, enquanto Ruas tinha 34,2%. Anthony Garotinho (Republicanos) registrava 9,4%.
O segundo turno também deixa mais nítida a divisão dos palanques nacionais no estado. Paes é apoiado pelo PT e tornou-se o principal candidato ao governo ligado à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no Rio. O presidente participou de atos ao lado do ex-prefeito durante a campanha.
Ruas tem o apoio de Flávio Bolsonaro. O presidente da Alerj afirmou durante a campanha que pretendia contar com a participação frequente do candidato presidencial do PL no estado e defendeu a aproximação entre as duas campanhas.
Com a eliminação dos demais concorrentes, os dois candidatos entram agora em uma disputa direta pelos votos de eleitores que escolheram outros nomes no primeiro turno.
A AtlasIntel já havia testado um confronto entre os dois antes da votação. Nesse cenário, Paes tinha 49,2% das intenções de voto e Ruas, 40,6%. Os números retratavam o eleitorado entre 15 e 20 de setembro e não representam uma projeção do resultado do segundo turno.
Eduardo Paes tem 56 anos, é advogado formado pela PUC-Rio e construiu praticamente toda a carreira política no Rio de Janeiro. Nascido na capital fluminense, entrou na vida pública no início dos anos 1990, ligado ao grupo do então prefeito Cesar Maia. Pouco depois de concluir a faculdade, assumiu a subprefeitura da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá.
Depois, foi eleito vereador e deputado federal por dois mandatos. Ao longo da trajetória, também ocupou cargos no Executivo municipal e estadual, entre eles as secretarias de Meio Ambiente da cidade do Rio e de Turismo, Esporte e Lazer do governo fluminense.
Foi na Prefeitura do Rio, porém, que Paes consolidou sua projeção nacional. Eleito pela primeira vez em 2008, comandou a cidade durante o ciclo de grandes eventos internacionais, que incluiu a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Anos depois, voltou ao cargo e, em 2024, conquistou um quarto mandato como prefeito.
Em março de 2026, deixou a prefeitura para disputar novamente o Palácio Guanabara. A eleição deste ano é sua terceira tentativa de chegar ao governo estadual. Em 2006, ainda no início de sua trajetória estadual, não avançou ao segundo turno. Em 2018, voltou à disputa e chegou à etapa final, mas acabou derrotado por Wilson Witzel.
Ao longo da carreira, Paes passou por diferentes partidos e alianças. Em 2026, concorre pelo PSD e lidera uma ampla coligação. Apesar de não ser filiado ao PT, tornou-se o principal palanque do presidente Lula no estado nesta eleição.
Douglas Ruas dos Santos tem 37 anos, nasceu em São Gonçalo e representa uma geração mais recente da política fluminense. Formado em Direito, com pós-graduação em Gestão Pública, é servidor concursado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Também é filho de Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, um dos principais redutos eleitorais do PL no estado.
Antes de conquistar mandato, Ruas atuou na administração municipal de São Gonçalo. Entre 2021 e 2022, comandou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais, experiência que antecedeu sua primeira candidatura à Assembleia Legislativa.
Em 2022, foi eleito deputado estadual com 175.977 votos. Já durante o mandato, afastou-se da Alerj para assumir a Secretaria estadual das Cidades no governo de Cláudio Castro, posição que ampliou sua presença política para além de São Gonçalo. Depois, retornou ao Legislativo.
A ascensão dentro da Alerj foi rápida. Em abril de 2026, Ruas foi eleito presidente da Casa com 44 votos, em uma eleição marcada por confronto com o grupo ligado a Eduardo Paes. Deputados aliados do ex-prefeito deixaram a disputa em protesto contra a adoção do voto aberto.
A presidência da Assembleia o colocou ainda mais no centro da política estadual em um ano de transição no governo. Após a saída de Cláudio Castro, Ruas chegou a ser mencionado como um dos nomes que poderiam ocupar o Executivo durante o mandato-tampão, mas acabou fora da linha sucessória definida naquele momento.
A candidatura de 2026 é sua primeira disputa por um cargo no Executivo. Pelo PL, Ruas tenta herdar parte da estrutura política construída por Cláudio Castro e, ao mesmo tempo, vincular sua campanha ao campo bolsonarista.
Flávio Bolsonaro foi seu principal aliado nacional durante a corrida pelo Palácio Guanabara. A estratégia de Ruas buscou transformar essa proximidade em um contraponto direto a Paes, apoiado por Lula, dando à eleição estadual uma dimensão também nacional.
