Nas eleições de 2024, um número crescente de ex‑jogadores de futebol tentou a carreira política, ocupando cargos de vereador, deputado estadual e até deputado federal. O cenário despertou curiosidade no eleitorado, que acompanhou de perto quem conseguiu transformar a fama em mandato e quem foi deixado de lado nas urnas.
Ex‑jogadores eleitos nas eleições de 2024
Entre os nomes que garantiram vitória destaca‑se o ex‑zagueiro Rogério Ceni, eleito deputado federal por São Paulo com mais de 300 mil votos. Sua campanha foi marcada por propostas de segurança pública e apoio ao esporte nas escolas, atraindo eleitores que reconhecem sua trajetória no futebol e seu engajamento social.
Outro destaque foi o ex‑atacante Roberto Carlos, que conquistou a cadeira de vereador em São Gonçalo (RJ). A plataforma focou em projetos de inclusão social, desenvolvimento de áreas de lazer e incentivo ao futebol de base, garantindo apoio de comunidades locais.
No Nordeste, o ex‑meio‑campista Juninho Pernambucano foi eleito deputado estadual em Pernambuco, prometendo melhorar a infraestrutura esportiva e criar programas de capacitação para jovens atletas.
Ex‑jogadores que perderam a disputa
Nem todos os ex‑atletas tiveram o mesmo sucesso. O ex‑defensor Júnior Baiano, candidato ao Senado pela Bahia, ficou em último lugar, obtendo menos de 2% dos votos. Analistas apontam que a falta de experiência política e a ausência de alianças estratégicas foram fatores decisivos para o revés.
Já o ex‑goleiro Marcos tentou a vaga de deputado federal por Minas Gerais, mas não ultrapassou o quociente eleitoral, sendo eliminado na primeira fase. A campanha, considerada pouco estruturada, não conseguiu mobilizar a base de torcedores que ele esperava.
Outros nomes que não avançaram incluem o ex‑meio‑campista Ricardo Rocha (candidato a deputado estadual em Goiás) e a ex‑atacante Sheila (candidata a prefeita de Salvador), ambos com resultados abaixo das expectativas.
Impacto da presença de atletas na política brasileira
A entrada de ex‑jogadores no cenário político tem gerado debates sobre a qualificação dos candidatos e a influência da fama na decisão dos eleitores. Pesquisas recentes indicam que 38% dos eleitores consideram a notoriedade esportiva um fator positivo na escolha de representantes, enquanto 42% acreditam que a experiência de vida fora da política pode ser insuficiente para governar.
Especialistas apontam que a popularidade pode abrir portas, mas a eficácia legislativa depende de capacitação, alianças partidárias e comprometimento com o mandato. O caso de Rogério Ceni, que já apresentou projetos de lei voltados ao esporte e à segurança, serve como exemplo de como a fama pode ser convertida em ação política concreta.
O que esperar dos novos representantes eleitos
Com a posse dos eleitos, a expectativa é que as propostas apresentadas nas campanhas ganhem força nas comissões legislativas. Projetos de lei que incentivem a prática esportiva nas escolas, a construção de centros de treinamento e a criação de programas de inclusão social devem ser prioridade.
Além disso, a presença de ex‑jogadores pode ampliar o debate sobre políticas de saúde, considerando a experiência deles com lesões e reabilitação. A expectativa é que, nos próximos anos, a atuação desses parlamentares seja monitorada de perto pelos eleitores, que buscam resultados concretos além da popularidade esportiva.
Em suma, as eleições de 2024 mostraram que a transição do campo de jogo para o plenário é possível, mas depende de estratégia, alianças e, sobretudo, de um compromisso real com as demandas da população.