As ações brasileiras chegam ao primeiro pregão após a eleição presidencial com expectativa de movimentos fortes. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 45,16%, levando a disputa para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A primeira reação veio dos ativos negociados em Nova York. O EWZ, principal ETF brasileiro negociado nos Estados Unidos, subia 11,38% por volta das 7h10 desta segunda-feira, enquanto os ADRs de algumas das maiores companhias do País também registravam ganhos expressivos.
Entre eles, Petrobras avançava 9,93%, Itaú subia 11,47% e Vale tinha alta de 6,10%. Bradesco também aparecia entre os destaques, com valorização superior a 12%.
Segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula eleva a atenção do mercado; reação do EWZ no exterior coloca máxima histórica do Ibovespa no radar
Os movimentos elevam a expectativa para a abertura da B3, mas não significam que as mesmas variações serão necessariamente reproduzidas no mercado brasileiro. Além das diferenças entre ADRs e ações locais, o pré-market americano tem características próprias de liquidez, e uma abertura com gap pode ser seguida tanto pela continuidade do fluxo comprador quanto por realização de lucros.
É justamente aí que os gráficos ganham importância.
Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) chegam à sessão em momentos técnicos diferentes. Petrobras renovou máxima histórica, Itaú rompeu uma linha de tendência de baixa, BB testa uma região decisiva para confirmar sua recuperação, enquanto Vale ainda trabalha dentro de uma estrutura corretiva.
Os níveis de suporte e resistência ajudam a mostrar até onde uma eventual reação pós-eleição pode avançar — e onde aumenta o risco de realização.
A Petrobras (PETR4) chega ao pregão pós-eleição com uma das estruturas técnicas mais fortes entre os papéis analisados.
Na sexta-feira, a ação avançou 2,81%, para R$ 51,20, e renovou sua máxima histórica ao atingir R$ 51,35. Na semana, PETR4 acumulou valorização de 6,69% e, em 2026, soma alta de 75,31%.
No gráfico diário, o papel permanece acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, preservando a tendência de alta.
A primeira referência para esta segunda-feira está justamente nos R$ 51,35. Uma superação consistente dessa região pode abrir espaço para novos recordes, com projeções em R$ 53,00, R$ 54,15 e R$ 55,55.
Se o movimento ganhar ainda mais força, entram no radar R$ 57,85 e a região psicológica dos R$ 60,00.
A forte valorização recente, no entanto, também pede atenção. O IFR de 14 períodos está em 72,12 pontos, já em região de sobrecompra.
Isso não representa, isoladamente, um sinal de reversão, mas mostra que o movimento está mais esticado e aumenta a possibilidade de realizações após a sequência de altas.
Na direção contrária, os suportes aparecem em R$ 47,56, R$ 43,55, R$ 39,71, R$ 37,82 e R$ 36,37.
Com o ADR da Petrobras avançando perto de 10% em Nova York nesta manhã, o principal teste em uma eventual abertura forte será verificar se PETR4 consegue romper e, principalmente, permanecer acima da máxima de R$ 51,35.
A Vale (VALE3) também entra no radar depois da valorização de seus ADRs no mercado americano, mas sua configuração técnica é diferente da observada em Petrobras.
O papel fechou a sexta-feira com alta de 2,56%, aos R$ 72,47, e avançou 2,40% na semana, interrompendo uma sequência de três semanas negativas. No ano, VALE3 acumula valorização de 3,20%.
Apesar da reação, a ação permanece dentro de um canal de baixa iniciado após a máxima de R$ 89,41 e ainda negocia entre as médias móveis de 9 e 21 períodos.
Por isso, uma abertura positiva nesta segunda-feira, sozinha, não seria suficiente para alterar a estrutura do gráfico.
Para a recuperação ganhar consistência, o papel precisa primeiro superar as médias curtas e avançar em direção aos R$ 77,55.
Acima dessa faixa, as próximas resistências aparecem em R$ 81,31, R$ 83,35 e R$ 87,58, antes da máxima de R$ 89,41.
O IFR de 14 períodos está em 49,29 pontos, em região neutra, sem indicar sobrecompra ou sobrevenda.
Na parte inferior do gráfico, a mínima recente de R$ 68,67 representa uma referência importante. A perda desse patamar pode devolver força aos vendedores e abrir caminho para R$ 64,11, R$ 58,67, R$ 56,81 e R$ 54,75.
Entre os quatro papéis analisados, portanto, Vale é o que mais precisa confirmar tecnicamente uma mudança de direção. A reação dos ADRs pode ajudar, mas o gráfico ainda exige rompimentos adicionais para caracterizar uma reversão mais consistente do movimento de baixa.
O Itaú Unibanco (ITUB4) chega à segunda-feira em forte recuperação e com uma configuração técnica que ganhou força nos últimos pregões.
A ação encerrou a sexta-feira aos R$ 45,13, alta de 1,54%, e acumulou valorização de 7,16% na semana. No ano, ITUB4 avança 17,16%.
O movimento recente ganhou importância porque o papel rompeu a linha de tendência de baixa que vinha limitando sua recuperação desde a máxima histórica registrada no início do ano.
No gráfico diário, ITUB4 negocia acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, reforçando a retomada do fluxo comprador.
A primeira resistência aparece praticamente no preço atual, em R$ 45,27. Acima dela, o próximo obstáculo está em R$ 47,04.
A superação dessas duas faixas recoloca no radar a máxima histórica de R$ 48,81. Um rompimento desse nível abriria espaço para a expansão da tendência de alta.
Assim como Petrobras, porém, Itaú chega ao pregão com indicador bastante esticado. O IFR de 14 períodos está em 74,59 pontos, dentro da região de sobrecompra.
Apesar disso, ainda não há sinal técnico claro de reversão.
Em uma eventual realização, os primeiros suportes aparecem em R$ 43,15 e R$ 41,50. Abaixo deles, entram no radar R$ 39,75, R$ 37,32 e R$ 35,63.
O ADR do Itaú estava entre os destaques da manhã em Nova York, com valorização superior a 11%. Caso esse movimento se traduza em uma abertura forte na B3, a faixa entre R$ 45,27 e R$ 47,04 será o primeiro teste para avaliar a continuidade da alta.
O Banco do Brasil (BBAS3) completa a lista com uma recuperação ainda mais intensa nas últimas sessões.
O papel avançou 3,04% na sexta-feira, para R$ 23,69, e acumulou alta de 9,73% na semana. Em 2026, registra valorização de 10,35%.
Desde o fundo formado na região de R$ 17,69, BBAS3 construiu uma recuperação relevante e agora trabalha na possível confirmação de um pivô de alta.
A ação negocia acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, enquanto as médias mais curtas voltaram a apontar para cima.
O primeiro teste está muito próximo: R$ 23,78.
A superação dessa resistência pode levar o papel para R$ 25,20, faixa que ganha importância para a confirmação da estrutura altista.
Acima dela, o próximo alvo aparece em R$ 27,43, antes da máxima histórica de R$ 28,83.
O avanço recente também levou o indicador técnico para uma região mais esticada. O IFR de 14 períodos está em 70,
